17/06/2004 20:12
UM PINTOR

Há um tempo atrás, eu li sobre um pintor paisagista do século XVII que mudou minha opinião sobre este gênero de pintura, até então, não simpatizava muito, achava bonito, mais não me interessava nem um pouco, talvez porque eu quisesse ver algo a mais, “as entrelinhas” os seus signos ou mesmo a falta desses, como característica de algumas obras pós-modernas.
O nome do pintor que mudou minha concepção é Jacob Van Huisdael, ele era Holandês e em suas pinturas, as cores são densas, o céu com nuvens carregadas, como que, avisando o surgimento de uma tempestade, o mar sempre forte, em revolta. Na verdade, ele era fiel a natureza, mas procurava nesta, seus próprios sentimentos, seus medos, refletindo na arte o próprio espírito. O homem, para ele, era insignificante frente ao poder da natureza. E realmente, quando se olha para eles, a gente sente uma angustia, uma certa tristeza, melancolia seria o termo certo.
Em 1660 ele pintou um quadro chamado O Cemitério Judeu, onde lápides funerárias, troncos secos, contrastavam com as plantas verdes, os brotos das árvores, como significado de transitoriedade da existência humana, a harmonia da vida e da morte. O mais bacana é que essa obra é a preferida do Goethe (escritor alemão) e pelo que sei, uma grande inspiração para seus escritos. Apaixonei-me pelo cara, suas obras são lindas (não são minhas preferidas, mas, vale a pena conferir). Nossa autobiografia sempre agradece!



Falando um pouco mais sobre arte: Assisti ao filme Diário de Motocicleta e foi uma surpresa, pois, descobri que estava completamente certa sobre o filme. Ele é maravilhoso! Forte, belo, poético e humano, no sentido mais belo e profundo da palavra. Com ótimas atuações. Vi algumas entrevistas com o Gael.... (ator que interpretou Ernesto Guevara no filme) e o achei ótimo, com uma humildade e um carisma fenomenal. Tudo bem que eu sou um pouco deslumbrada, mais saí do cinema com o coração exaltado, sempre tive o maior orgulho de ser brasileira, mas nesses momentos a gente se percebe “mais”, no sentido de sermos Latino-americanos, então pensei: “veja só, eu sabia, nosso cinema é e sempre foi um dos melhores”.

enviada por Elis






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